AUTOR(ES): RODRIGO DE SOUZA WANZELER, FABIANA DOS SANTOS COELHO

A Análise do Discurso traz consigo um embasamento teórico ancorado em diferentes áreas do conhecimento, tais como a Linguística, a Psicanálise e o Materialismo histórico. Assim, pressupõe estudar a relação entre as condições de produção e os efeitos gerados por um discurso, a partir do lugar social e histórico no qual ele foi constituído. Sendo assim, com base nessa multiperspectiva de trabalho (Kellner 2001) propomos aqui reflexões sobre de que forma os estudos do discurso podem colaborar para o desvelamento de outras vozes, historicamente marginalizadas (mulheres, gays, pessoas de cor preta, gentes das periferias etc), a partir da perspectiva de que, para além do reconhecimento de aspectos estruturais, a formação de um leitor crítico pressupõe a habilidade de reconhecer as condições de produção e os efeitos de sentido produzidos a partir do texto. Nesse sentido, ancorando-nos, por exemplo, em Foucault (2008) no que tange ao discurso ser observado enquanto um conjunto de enunciados o qual se apoia em uma mesma formação discursiva e, sob este viés, possibilita certa definição dos lugares de fala de sujeitos diversos em determinados tempos históricos; tendo a noção da inseparabilidade existente entre linguagem e cultura, visto que ambas se implicam mutuamente, como aponta Jakobson (1985); bem como observando a prática da linguagem enquanto um fenômeno social, tal qual afirma Lévi-Strauss (2003), interessa-nos acolher trabalhos que deem destaque a de que maneira outras áreas do conhecimento, para além da Linguística, como a Antropologia, os Estudos Culturais e Pós-Coloniais, os Estudos Literários e a História, por exemplo, podem contribuir no que diz respeito às pesquisas acerca da Análise do Discurso, dando enfoque específico à constituição, reconhecimento e desvelamento de sujeitos subalternizados, os quais, aportando-nos em Santiago (1978) e Bhabha (2007), situam-se nos entre-lugares e historicamente negociam a audição de suas reivindicações.

AUTOR(ES): Edna dos Santos Oliveira, Eduardo Alves Vasconcelos

A ecologia linguística da região que compreende o extremo norte do Brasil, situada na fronteira com a Guiana francesa e compondo, com Suriname e Guiana Inglesa, a microrregião do dito platô das Guianas, concentra comunidades indígenas e afrodescendentes, com consequente inter-relação dessas comunidades com núcleos urbanos, e, também, um fluxo considerável de pessoas da região de fronteira, gerando, assim, uma área evidentemente multilingue e em trânsito. A fronteira física é constituída, assim, de uma diversidade de povos, de línguas e de relações que representam não apenas os limites geográficos mas uma intrincada rede de contatos que se estabeleceram historicamente em centros de dispersão, como foi Mazagão no século XVIII, e de concentração, como é o caso da região do baixo Oiapoque, possivelmente anterior à presença europeia na região. Esse cenário é catalisador de diversas possibilidades de estudos linguísticos, com diferentes abordagens e perspectivas. Neste simpósio, interessa-nos dar foco às questões relativas aos contatos e às configurações de fronteiras, no que concerne aos aspectos linguísticos, políticos, culturais e sociais, promovendo uma discussão mais ampla sobre a própria definição de fronteira em âmbito linguístico, de território, de línguas e de relações multiculturais e multilíngues.

AUTOR(ES): Francisco Edviges Albuquerque, Severina Alves de Almeida

Objetivo Geral desse simpósio é discutir e analisar a Educação Escolar Indígena na Perspectiva Bilíngue e Intercultural, a partir dos resultados de dois projetos concluídos: “A Educação Escolar Apinajé na Perspectiva Bilíngue e Intercultural: Programa do Observatório de Educação Escolar Indígena (2010-2012)” e “A Educação Escolar Indígena Krahô Bilíngue e Intercultural (2013-2015)”. Tendo com quadro teórico-metodológico as pesquisas que se apresentam como quantiqualitativamente (VASCONCELOS, 2009), e realizaram-se nas escolas Apinajé Mãtyk e Tekator, aldeias São José e Mariazinha, e Krahô da Aldeia Manoel Alves. É também uma etnografia participante (ERICKSON, 1984); (BORTONI-RICARDO, 2014); (ALMEIDA, 2015). Os dados foram gerados e coletados a partir de observações e participação efetiva de toda a comunidade. O corpus investigado é composto de entrevistas realizadas com lideranças e professores Apinajé e Krahô, diários e notas de campo. Utilizamos, para Educação Indígena, Bilíngue e Intercultural: (LOPES DA SILVA, 2001); (MAHER, 2006; 2010); (GRUPIONI, 2003; 2006); sobre os Apinajé, (NIMUENDAJU, 1983; DA MATTA, 1976; ALBUQUERQUE, 2007; 2011); acerca dos Krahô (ABREU, 2012; SANTOS E ALBUQUERQURE, 2016; YAHÉ KRAHÔ E ALBUQUERQUE, 2016). Os resultados permitem inferir que os indígenas Apinajé e Krahô são Bilíngues em suas Línguas Maternas e Português; que a educação ofertada pelas escolas de suas aldeias, é Bilíngue e Intercultural, e que apesar da Língua Portuguesa estar presente em domínios de exclusiva competência da Língua Materna, os indígenas se mobilizam no sentido de preservar seus aspectos culturais e linguísticos.

AUTOR(ES): Thomas Massao Fairchild, Sulemi Fabiano Campos

Neste simpósio buscamos reunir trabalhos que tomem como dados materiais escritos por professores em qualquer etapa de sua formação com o intuito de discutir os processos de formação desse profissional. Espera-se, em especial, uma discussão que relacione as formas assumidas pela escrita do professor e os processos de apropriação e produção dos conhecimentos que sustentam o trabalho docente. Parte-se do entendimento de que, escrevendo, o professor registra, para si mesmo e para outros, as ações realizadas em sala de aula e seus efeitos, podendo com isso aprofundar sua própria compreensão a respeito dos processos de ensino e, também, pleitear questões que façam o conhecimento da área avançar. Levantam-se, entre outros, os seguintes questionamentos: a) quais são as características recorrentes da escrita produzida por professores em formação nas universidades e o que elas dizem da sua relação com os conhecimentos necessários para o exercício da profissão?; b) quais são os elementos que exercem sobre essa escrita uma força padronizadora (políticas, legislação, ideologias pedagógicas, propostas didáticas etc.) e como os professores reagem a esses elementos no ato individual de escrever?; c) de que formas a ação de escrever afeta o modo como o professor realiza outras ações próprias de sua profissão (tais como planejar uma aula, fazer uma exposição, conduzir a realização de uma tarefa etc.)? Serão bem-vindos trabalhos que se proponham a desenvolver questionamentos dessa ordem a partir de quaisquer bases teóricas.

AUTOR(ES): Antônio Máximo Ferraz, Harley Dolzane

A concepção usual é a de que a arte tem origem no artista, representando suas ideias e sentimentos. Como o artista vive em uma época, a obra também seria, assim se crê, a representação do contexto histórico em que surge. Tais concepções se prendem a uma visão da arte que a toma como imitação de algo a ela anterior. Este modo de encarar a arte não lhe concede seu vigor criador: ela é vista como cópia de algo que tem existência prévia, e não como a irrupção do que ainda não existe. A maneira como a arte costuma ser pensada configura a assim chamada tradição mimética, que é o modo como o termo mímesis veio sendo interpretado pela tradição filosófica, como imitação. A matriz desse entendimento está na concepção da verdade como adequação entre o juízo que se formula sobre as coisas e o que elas supostamente seriam (veritas). O pensamento é tido como representação de pressupostos teóricos que embasam o juízo verdadeiro. A arte é vista como o ficcional, o contrário do real e da verdade. Procurando reconhecer o poder criador que a arte por si só já tem, o simpósio procura abrir-se para trabalhos que resgatem a referência ontológica entre a arte e a verdade. Esta é concebida não como um juízo propositivo, mas como o desvelamento de questões, dimensão proposta pela palavra grega alétheia, a verdade em sentido manifestativo. A arte é a dimensão do acontecer das questões, manifestando-se na obra. Tal modo de pensar a arte é poético, pois a vê como doação da poiésis, a ação originária das questões. O que se espera é que os trabalhos apresentados reconheçam que a arte não é imitação, mas põe a verdade em obra, instaura a sua própria teoria e funda a sua própria época.

AUTOR(ES): Raphael Bessa Ferreira, Maria Glushkova

O objetivo deste simpósio é congregar trabalhos da área da Análise do Discurso desenvolvidos pelos Grupos de Pesquisa Diálogo (FFLCH, USP) e LAESP (DLLT, UEPA), conforme visão interacionista de Bakhtin e da Análise Comparativa do Discurso (CLESTHIA/CEDISCOR – Sorbonne Nouvelle, Paris 3), que discutam questões inerentes às características, estruturas e usos do gênero científico (MARCUSCHI, 2000), bem como aos aspectos culturais existentes em tais gêneros, conforme uma abordagem contrastiva. Serão bem-vindas propostas que problematizem o funcionamento linguístico deste gênero (seja enquanto resumo, resenha, artigo, monografia, dentre outros), mais precisamente quanto ao seu formato de divulgação científica, cujo método de análise enfoque as estratégias discursivas de divulgação do conhecimento tanto em relação à esfera científica quanto a outras esferas enunciativas. Desta feita, noções ligadas à divulgação do conhecimento científico ao público acadêmico, e também não acadêmico, serão abordadas enquanto formas comunicativas que refratam e refletem a realidade científica de um modo de se escrever ciência e sobre a comunicação a outros públicos (leigos) acerca da ciência. Com isso, comparar o gênero de discurso científico em comunidades etnolinguísticas distintas se faz de suma relevância para o presente simpósio, visto que há, em cada país, um estilo científico que pressupõe ao enunciador o uso de uma linguagem objetiva, direta, padronizada e estabelecida segundo a norma técnica que fundamenta e convenciona a produção e divulgação do saber naquela cultura, tendo em vista que, conforme Bakhtin, os gêneros discursivos devem ser pensados culturalmente a partir de temas, composição e estilo, que representam o enunciado e as formas estáveis de enunciados (gêneros).

AUTOR(ES): Juliana Maia de Queiroz, Rodrigo Soares de Cerqueira

Antonio Candido — teórico, crítico e historiador da literatura — era, antes de tudo, um leitor perspicaz e sensível. Era também um leitor voraz. Seus interesses foram os mais diversos. Eles passaram pelas Ciências Sociais, em que se formou e na qual atuou no início de sua carreira docente; passaram pela crítica e historiografia literária, área que adotou na década de 1950 e ajudou a consolidar quando fundou o Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada na USP; e chegaram até a literatura em suas mais diversas manifestações. Embora seja mais conhecido por seu estudo sobre Memórias de um sargento de milícias, de Antonio Manuel de Almeida, Candido não ficou restrito ao romance brasileiro oitocentista. Foi ainda um leitor atento da prosa brasileira do século XX, de romances estrangeiros, da poesia colonial e moderna, do pensamento de outros críticos, da sociedade brasileira. Em síntese, esse Simpósio busca refletir sobre o vasto quadro de leituras aberto pelo estudioso sobre os mais diversos objetos que tocou ao longo de sua longa trajetória. Busca, assim, sublinhar Antonio Candido como leitor da tradição brasileira em prosa, poesia, crítica, história e sociologia.

AUTOR(ES): Maria de Fatima do Nascimento, Hugo Lenes Menezes

Como crítico e pensador, Benedito Nunes tornou-se referência em Clarice Lispector. Mesmo porque, desde a década de 1960 até sua morte em 2011, ele a estudou profundamente, revelando-se então aquele que melhor conseguiu estabelecer a relação entre crítica literária e filosofia. Em tal âmbito, durante anos, Benedito Nunes proferiu conferências e palestras no Brasil e no exterior, além de ter publicado, em periódicos e livros do Brasil, vários artigos, cujos primeiros, estampados no “Suplemento Literário” do jornal O Estado de São Paulo, reapareceram no volume O mundo de Clarice Lispector (ensaio), de 1966, integrando a “Série Torquato Tapajós”, das Edições do Governo do Estado do Amazonas. Esses artigos, pela Coleção Debates, da Editora Perspectiva, e com algumas alterações, passaram a figurar em “O mundo imaginário de Clarice Lispector”, segunda parte da obra O dorso do tigre (1969). Ali, igualmente ao primeiro livro retromencionado, o crítico paraense estuda quatro obras claricianas: o romance Perto do coração selvagem (1944); o conto “Amor”, da coletânea de narrativas curtas Laços de família (1960); os romances A maçã no escuro (1961) e A paixão segundo G. H (1964). Em 1973, Benedito Nunes deu a lume Leitura de Clarice Lispector, terceiro livro com estudos sobre semelhante autora, dentro da Coleção Escritores de Hoje, dirigida por Nelly Novaes Coelho, na Editora Quiron. Um quarto livro pertinente Benedito Nunes trouxe a público pela Editora Ática: O drama da linguagem: uma leitura de Clarice Lispector (1989). Assim sendo, o presente simpósio objetiva acolher trabalhos sobre quaisquer criações ficcionais de Clarice Lispector constantes nos aludidos estudos do intelectual brasileiro e calcados nos postulados teórico-metodológicos da filosofia, em diversas correntes suas, e da estética da recepção, enquanto reformulação da história literária e da interpretação textual, ao considerar, na literatura, o importante lugar do leitor ao lado do autor e da obra.

AUTOR(ES): Abilio Pacheco de Souza, Liliane Batista Barros

O quadro político atual com avanço das extremas direitas e as implementações de golpes político-parlamentares dentro de novas modalidades de estado de exceção (Pedro Serrano, 2015), como o que assistimos no Brasil e que é – de algum modo – continuidade de processos como os ocorridos em Honduras e no Paraguai, reacende preocupações que foram próprias do século XX, "era dos extremos" conforme Hobsbaw (1995), ou "séculos das catástrofes", conforme Márcio Seligmann-Silva (2003). Os debates sobre a produção literária de nosso passado recente reassumem um caráter de urgência. Pretendemos, neste simpósio, dialogar e debater com trabalhos que discutam o texto literário em suas mais várias formas de produção, e sua relação com catástrofes ou exceções causadas pelo imperialismo, colonianismo e póscolonialismo (Calafate Ribeiro, 2004; Padilha, 2011), bem como autoritarismo ou totalitarismo. Interessa-nos principalmente os trabalhos fundamentados nos conceitos de narrativa de resistência (Bosi, 2002; Federico Lorez, 2002) e literatura de testemunho (Seligmann-Silva, 2003; de Marco, 2002). Palavras-chave: literatura de testemunho, narrativa de resistência, estado de exceção, memória e narrativa

AUTOR(ES): RUBENIL DA SILVA OLIVEIRA, Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões

A literatura nasce da necessidade que o homem tem de estar em interação com o mundo que o circunda, é por isso, uma manifestação da linguagem humana, ação que possibilita ao homem inventar, transcender os limites do documento, do real, através da narrativa ou da cantoria. Neste sentido, o Simpósio pretende refletir acerca do compromisso e da ética na literatura oral que tematiza a Amazônia, enquanto lugar que carrega um homem e uma história própria amalgamada pela floresta e pelos rios que cortam e dão rotas a esse Novo Mundo; Discutir os conceitos de poética da voz e narrativas do testemunho de corpos que não se silenciam, das narrativas dos grupos marginalizados e; Demonstrar a partir da multiplicidade de gêneros literários e das narrativas orais a presença do compromisso e da ética como aspectos intrínsecos à literatura produzida no espaço amazônico ou que tematizam este espaço. Desse modo, acolhem-se trabalhos que deem conta da investigação de autores e gêneros literários que remetam ao contar e cantar o espaço amazônico, tanto da dita literatura canônica ou do não cânone e das mitopoéticas da voz, da literatura dos viajantes, das narrativas do acervo do IFNOPAP e das narrativas que remetam à escrita de si e do outro, sobretudo dos testemunhos de mulheres, negros, indígenas, ribeirinhos e homoafetivos. Portanto, busca-se aqui a discussão sobre as identidades marginalizadas pelo olhar do homem, como as identidades de gênero e étnicas para assim resgatar o compromisso ético do fazer literário enquanto mímesis do real.

AUTOR(ES): ROMARIO DUARTE SANCHES, REGIS JOSÉ DA CUNHA GUEDES

Esta proposta de simpósio busca reunir estudos dialetais e geolinguísticos realizados na Amazônia brasileira, na intenção de discutir os rumos teórico-metodológicos da Dialetologia, considerada ciência geral da variação (THUN, 2005). No Brasil, é possível observar uma dialetologia genuinamente brasileira, isto é, uma dialetologia acompanhada do método geolinguístico e aplicada por pesquisadores brasileiros em diferentes regiões do país. Já que até a metade do século XX, comentava-se sobre uma dialetologia portuguesa ligada à linguística românica, como apresenta Castilho (1972/1973). Atualmente, a dialetologia no Brasil, e especificamente na região Amazônica, vem mostrando novas configurações da variação linguística. O grupo de pesquisa GeoLinTerm (Geossociolinguística e Socioterminologia), vinculado à Universidade Federal do Pará (UFPA), tem fomentado pesquisas dialetológicas em áreas indígenas e quilombolas, como os trabalhos de Guedes (2017), Dias (2017), Rodrigues (2017), e entre outros. Dessa forma, serão aceitos os trabalhos relacionados ao campo da Dialetologia que tenham como objetivos a descrição e o mapeamento das variedades do português em área urbana/rural, indígena e quilombola.

AUTOR(ES): Marilio Salgado Nogueira, Maria Eróticas Moreira e Silva

O Português como Língua Estrangeira (PLE) tem crescido, ao longo do tempo, em um ritmo diretamente proporcional aos cenários sócio-político- econômicos. Desse modo, pudemos observar sua rápida expansão a partir dos contextos de implantação de acordos entre os blocos econômicos, do processo imigração, da recepção à refugiados e da internacionalização de instituições educacionais. Com isso, houve necessidade de criar parâmetros de proficiência da Língua Portuguesa, tomando como referência as diretrizes estabelecidas pelo INEP e a aplicação do Celpe-Bras, no Brasil, bem como o Quadro Comum Europeu e aplicação de diferentes testes de proficiência pelo CAPLE, em Portugal. Nesse contexto, materiais didáticos de PLE foram publicados em maior número, a oferta de cursos livres pelo setor privado ou público cresceu consideravelmente para os diferentes objetivos, seja para certificação, seja para outros fins. Também, a constituição de materiais didáticos/manuais de ensino de PLE tem acontecido com identidades e em contextos diferentes, de forma multifacetadas. Neste simpósio, objetiva-se reunir trabalhos (1) que investiguem a elaboração de Materiais didáticos/manuais de ensino para o ensino de PLE/L2 nos contextos supracitados; (2) e que avaliem os testes de proficiência aplicados no Brasil e/ou Portugal.

AUTOR(ES): José Ribamar Lopes Batista Júnior, Sergio Vale da Paixão

O conceito de escola e de prática educacional tem mudado nas últimas décadas, visto que a escola saiu da formação erudita para a construção de habilidades. Nesse caminho, a participação dos indivíduos em práticas tecnológicas e digitais passou a ganhar ênfase, na medida em que diferentes grupos antes excluídos agora se encontram contemplados por políticas públicas de educação. Assim, a construção de caminhos para a atuação profissional constituem uma necessidade e um desafio ao qual o pensar pedagógico deve oferecer soluções. Para tanto, tecnologias digitais, práticas e concepções de ensino estão resultando em práticas educacionais cada vez mais emancipatórias e participativas. Ante a complexidade do fluxo de informações e a capacidade de influenciar hábitos promovidos pelas tecnologias, novos gêneros textuais são produzidos para atender às novas demandas. Para encurtar as fronteiras entre escola e sociedade, os usos digitais da leitura e da escrita vêm sendo a principal ferramenta nesse processo que tanto é inclusivo como capacitador. A vida digital e os usos dos textos digitais atravessam as práticas concretas em sincronismo e concretude e permitem, assim, a confluência de esforços no campo da leitura e da escrita, na medida em que a escola dá contornos sociais significativos ao fazer estudantil. Os projetos de letramento (leitura e escrita) associados às tecnologias oferecem a possibilidade de extrapolar o tempo de execução, além de requerer pouco ou nenhum recurso financeiro. Os celulares assumem funções primordiais, e os hábitos, culturas e modos de trabalho passam por meio dessa ferramenta a serem compartilhados em tempo real. Nesse sentido, este simpósio pretende reunir pesquisadores e professores empenhados na articulação entre tecnologias e usos digitais nas escolas, envolvidos com práticas multiletradas, vinculados a diferentes vertentes teóricas (Análise de Gêneros, Semiótica Social, Gramática Sistêmico-Funcional, Análise de Discurso Crítica, Linguística Aplicada entre outras), que tenham como objetivo compartilhar experiências ou propor avanços teóricos ou epistemológicos para o ensino de línguas (materna e estrangeira) na Educação Básica.

AUTOR(ES): VALDINEY VALENTE LOBATO DE CASTRO, ALAN VICTOR FLOR DA SILVA

O prestígio de ser um escritor consagrado no cânone nacional não significa que, desde as primeiras produções poéticas, a trajetória de um autor tenha sido eivada apenas de glórias e sucessos. Muitos escritores, inclusive, faleceram sem ter o reconhecimento do público, pois o lançamento de uma ou de mais obras ainda não garante o prestígio e o reconhecimento de um autor. Reconstruir, portanto, o processo de canonização de um determinado escritor é remontar todos os seus passos percorridos ao longo dos anos para alcançar um lugar de relevo no cânone literário, o lugar ao qual pertence o grupo seleto dos autores mais representativos de uma determinada nacionalidade. Para pertencer a esse cânone, um escritor precisa passar pelo crivo das instâncias de legitimação (ou de consagração). Segundo Márcia Abreu (2006), essas instâncias – a exemplo das universidades, dos suplementos culturais dos grandes jornais, das revistas especializadas, dos livros didáticos, das histórias literárias, entre outros – apresentam o poder institucional de declarar autores e obras como pertencentes ao cânone literário. Para Fish (1980), essas “comunidades interpretativas” não só classificam quanto à qualidade, como também apresentam leituras possíveis do texto literário. De modo contrário, alguns escritores caíram no esquecimento, assim como as suas obras, pois não passaram pelo crivo de um significativo número de instâncias legitimadoras. As pesquisas em periódicos, por exemplo, revelam uma série de escritores brasileiros que produziram durante os séculos XIX e XX, mas hoje são completamente desconhecidos dos leitores deste século. Desse modo, a proposta deste simpósio é congregar trabalhos que procurem traçar aspectos da trajetória de consagração ou de esquecimento de autores e obras de qualquer nacionalidade e de qualquer século. Para tanto, esses trabalhos devem considerar o papel da crítica literária, dos compêndios de história da literatura, das universidades, das editoras, das livrarias, dos jornais, entre tantos outros.

AUTOR(ES): Sidi Facundes, Hein van der Voort

Qual o estado atual do conhecimento sobre o desenvolvimento histórico das línguas amazônicas? O que tais estudam revelam sobre a história ou pré-história das sociedades indígenas dessa região? Quais perguntas permanecem sem respostas? Essas são as questões que propomos para o simpósio. Apesar do grande avanço nas descrições sobre as línguas amazônicas, ainda são poucos os estudos de tais línguas do ponto de vista histórico. Com isso, propomos este simpósio para que diferentes especialistas da área possam apresentar os resultados de suas pesquisas abordando estudos histórico-comparativos ou de gramaticalização de modo a que cheguemos a uma compreensão do estado da arte dos estudos históricos das línguas Amazônicas, e do conhecimento que eles oferecem sobre a história dos povos amazônicos.

AUTOR(ES): Ana Paula Martins Alves, Elisangela Nogueira Teixeira

Este simpósio visa reunir estudos no âmbito da Psicolinguística que investiguem: a) o processo de aquisição da linguagem em sentido amplo e restrito; ou b) o processamento linguístico em seus diferentes níveis de descrição estrutural. Por aquisição da linguagem entende-se como o processo pelo qual o ser humano parte de um estado inicial em que não possui qualquer forma de expressão verbal - caracterizado de formas diferentes conforme a abordagem teórica adotada - para um estado final em que incorpora a(s) língua(s), adquirindo um modo de expressão e interação social. Por processamento linguístico entende-se os processos mentais relacionados à compreensão e à produção de linguagem em adultos ou em crianças. Desse modo, serão aceitos trabalhos que buscam evidências empíricas, por meio do método naturalista ou com base em metodologia experimental, sobre os fenômenos da aquisição ou do desempenho linguístico observados no português (brasileiro e europeu) ou em outras línguas, na interface entre os níveis morfológico, sintático e semântico.

AUTOR(ES): CARLENE FERREIRA NUNES SALVADOR, Rejane Umbelina Garcez Santos de Oliveira

Uma das formas de conhecimento da história do pensamento social no decorrer dos séculos está presente em um vasto número de termos e expressões fixas, os quais seriam portadores das vivências de uma ou mais gerações e que funcionariam como instrumentos de conduta aptos para serem aplicados no cotidiano. Nesta esfera, os estudos terminológicos mostram-se relevantes para o registro, a descrição, a representação e a transferência dos diversos saberes. Sua função na sociedade é facilitar a comunicação, permitir a recuperação de uma informação ou deixá-la à disposição dos usuários para que cumpra a sua finalidade oferecendo facilidade de acesso, confiabilidade e atualização (ORTIZ, 2000). A Terminologia com T maiúsculo, refere-se a disciplina (KRIEGER & FINATTO, 2004), enquanto a escrita com a inicial minúscula aos termos específicos das técnicas e das ciências. Por sua vez, compreende-se por fraseologia o conjunto dos fraseologismos, o inventário de locuções fraseológicas, quer dizer o fraseoléxico de uma língua (MEJRI,1986) e Fraseologia, grafada com letra maiúscula, como uma subárea da Lexicologia. A partir das investigações fraseológicas emanam as controvérsias relacionadas à sua área de atuação, seu objeto de estudo e sua delimitação, além da abundante diferença terminológica utilizada pelos teóricos da área. Em face do significativo aumento de pesquisas de cunho terminológico e fraseológico observado nos últimos vinte anos, almeja-se com este simpósio criar um círculo de discussão a partir da apresentação de resultados parciais e finais de pesquisas que tenham como objeto de estudo, a descrição e a análise terminológica e fraseológica de língua portuguesa na Amazônia, seja em uma perspectiva teórica, seja em uma perspectiva aplicada e/ou contrastiva. Desta forma, espera-se que os trabalhos inscritos apresentem critérios metodológicos adotados em pesquisas realizadas e façam a relação da terminologia/fraseologia contemplando as contribuições da própria Fraseologia ou de disciplinas com as quais costuma interagir.

AUTOR(ES): Aline Batista Rodrigues, Raimundo Sérgio Farias Junior

Este simpósio busca investigar de que forma as escolhas semântico-lexicais realizadas pelas mídias especializadas, um dos aparelhos ideológicos de controle, segundo Althusser (2010), produziram efeitos de sentido de modo a reverberar o discurso de que as mazelas sociais que o Estado brasileiro enfrenta são ocasionadas pela crise econômico-política construída para justificar o Golpe. Maingueneau (2008), acerca das práticas discursivas e das relações de poder, defende que o indivíduo fala de dentro de campos discursivos reconhecíveis, que se relacionam de acordo com determinada ordem, que é mediadora da realidade em que os sujeitos estão inscritos. Nesse sentido, as práticas que surgem dos discursos midiáticos estão determinadas por uma ordem institucional, que estabelecem relações de poder, que organizam as práticas discursivas, mediadoras da realidade da qual se fala. Dito de outro modo: as reportagens, as entrevistas exclusivas com políticos ligados a uma única vertente ideológica, apagamento de informações de correntes opostas ao impeachment, fixação do termo “crise político-econômica”, marginalização dos manifestantes de correntes diversas determinaram práticas que estão sob um mesmo campo discursivo, que defende o Impeachment como resolução para o discurso da crise. Considerando que a tomada da palavra implica a filiação do sujeito a uma formação discursiva que o constitui e que é reconhecível ao se analisar a materialidade linguística, este simpósio tem por fim debater quais os efeitos de sentido, que os textos que circularam na mídia sobre o evento de 2016, produziram sobre os grupos sociais que sofreram apagamento midiático ao assumirem a concepção de golpe, não de Impeachment. Para tanto, receberemos pesquisas concluídas ou em andamento que mostrem esses efeitos de sentido na educação, saúde, mídias alternativas, redes sociais, etc.

AUTOR(ES): Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues, Eunice Braga Pereira

O ensino de Língua Materna na Educação Básica, em especial, no Ensino Fundamental requer que sejam discutidos aspectos tanto no que diz respeito à formação inicial quanto à continuada de professores. Muitos estudos procuram dar conta das dinâmicas escolares bastante direcionadas aos processos avaliativos em larga escala. Esse tipo de avaliação pouco considera a percepção da língua como forma de interação e se distancia, mais ainda, do cotidiano dos sujeitos. Desse modo, convivem no ambiente escolar práticas que evidenciam diferentes concepções de língua e usos dos gêneros textuais/discursivos. Outros aspectos que também parecem estar negligenciados nesse modelo de ensino voltado para os exames em larga escala são a questão da inclusão e das Novas Tecnologias. Por conta disso, este simpósio objetiva discutir pesquisas que apontem alternativas para um processo de ensino-aprendizagem mais inclusivo e que tenha como direcionamento a língua como forma de interação de maneira a articular práticas dialógicas aos cotidianos dos educandos, assim como nos mais diferentes contextos que integram a formação inicial e continuada de professores.

AUTOR(ES): Cláudia Grijó Vilarouca, Vitor Cei Santos

Diante da figura amazônica e internacional de Benedito Nunes, de suas contribuições para ambas as áreas através do diálogo e confronto constante entre elas, o simpósio “Fronteiras entre literatura e filosofia na Amazônia e no mundo” se propõe a ser um espaço de análise, reflexão, debate e crítica que congrega pesquisadores de diversas instituições e áreas do conhecimento. Seu objetivo principal é discutir as fronteiras entre filosofia e literatura, assim emulando os caminhos do velho mestre paraense, tendo em vista uma motivação calcada em diversos autores que trataram ou permitiram pensar, cada um a seu modo, a possibilidade de diálogo entre as duas áreas – considerando que ambas possuem particularidades próprias e não se confundem – tais como Jeanne Marie Gagnebin, F. Nietzsche, Gilles Deleuze, Jean-Luc Nancy, Fernando Pessoa, Machado de Assis, entre outros. O grupo pretende trazer uma contribuição à pesquisa das relações entre Filosofia e Literatura agregando pesquisadores interessados em gerar conhecimento nesta área do saber, a fim de que a mesma seja fortalecida no Brasil, uma vez que a discussão acerca das dimensões literária e filosófica se torna fundamental para a construção de reflexões que contemplem tessituras diversificadas do discurso artístico, de caráter poliédrico e eivado de contradições e paradoxos que necessitam de miradas críticas dispostas ao adensamento dos intercursos entre filosofia e literatura. Tal é o horizonte das preocupações deste que procura acolher trabalhos que discutam e proponham ler de forma crítica, incluindo a analítico-política, os horizontes fronteiriços entre literatura e filosofia.

AUTOR(ES): Fátima Cristina da Costa Pessoa, Hélio Luiz Fonseca Moreira

Desenvolver pesquisas que tematizam as relações entre linguagem e trabalho, dois fenômenos plásticos, suscetíveis às transformações da ordem histórica, política e ideológica de que fazem parte, pode atender a inúmeras demandas que podem partir do próprio espaço institucional do trabalho, o que geralmente visa ao alcance de maior eficácia na sua realização ou à resolução de um problema que reconhecidamente interfere no alcance dessa eficácia, ou podem partir do espaço acadêmico, o qual propõe a problematização do cotidiano do trabalho, caracterizado pela opacidade do debate de normas implicado na realização da atividade laboral. A proposta deste simpósio temático é reunir trabalhos que, na discussão do funcionamento discursivo e do exercício enunciativo em contextos de trabalho, problematizem a centralidade da linguagem para o exercício das atividades laborais em diferentes perspectivas teórico-metodológicas e o lugar do linguista na agenda de investigações que privilegia o sujeito como trabalhador. Como se trata de uma questão vital para a manutenção das relações intersubjetivas, problematizar o exercício enunciativo e o funcionamento discursivo que caracteriza os contextos de trabalho responde a uma necessidade ética de interrogar permanentemente a justeza e as fragilidades das estruturas históricas, políticas e ideológicas que sustentam essas relações.

AUTOR(ES): Liliana Patricia Marlés Valencia, Luciano de Jesus Gonçalves

Uma das célebres passagens do romance O casamento (1966), de Nelson Rodrigues, recolhe bem o tema desse simpósio. A frase, proferida pelo pai da protagonista Glorinha, ocorre na alcova de um quartinho fétido, alugado para encontros secretos. Depois de concluir o ato sexual descrevendo, em paralelo, uma passagem de sua infância em que foi sodomizado por um moleque mais velho, dispara: “Quero que a senhora saiba o seguinte: aquilo que eu disse, a história do tal garoto, não é verdade, não aconteceu. Eu inventei na hora. Foi uma fantasia erótica. – E repetiu, desesperado, a palavra: – Erótica” (RODRIGUES, 1992, p. 71, grifo nosso). A passagem, curiosa e, em certa medida, bem-humorada num contexto literário, alerta para o caráter da imaginação erótica no âmbito da arte. Os momentos eróticos que o personagem verbaliza, motores do gozo durante o sexo extraconjugal, foram imaginados, inventados, forjados no âmbito da linguagem. A passagem literária se configura, assim, como uma definição desse efeito erótico do qual a obra de arte pode motivar. Em outras palavras: “[...] toda literatura obscena implica uma orgia. Dito de outro modo: se a fabulação dos amantes visa a prolongar a intensidade do desejo, ao texto que lhe corresponde cabe prolongar indefinidamente as imagens fabuladas, projetando-as num espelho que [...] tem a capacidade de transformar, deformar ou ampliar tudo que nele se reflete. O erotismo literário é, em suma, a fantasia da fantasia (MORAES, 2015, p. 21). A literatura está permeada de diversos momentos, obras, autores e passagens em que a imaginação erótica é utilizada para operar estéticas distintas. Nesse sentido, convidamos estudantes, professores e pesquisadores da erótica a enviarem contribuições com suas investigações em torno da escrita do corpo, do efeito erótico, da pornografia e/ou erotismo etc.

AUTOR(ES): Esequiel Gomes da Silva, Lucilena Gonzaga

O surgimento da imprensa brasileira se deu com a criação do Correio Brasiliense e da Gazeta do Rio de Janeiro, em junho e em setembro de 1808, respectivamente. No entanto, por conta da censura imposta pela coroa portuguesa, a circulação de impressos era bastante restrita. A mudança de paradigma aconteceu em março de 1821, quando d. João VI assinou um decreto que suspendia provisoriamente a censura prévia para impressão em geral. Desde então, a imprensa periódica e cotidiana se constituiu como um suporte para divulgação de informações, de ideias relacionadas ao mundo político e científico, assim como para a veiculação de textos literários. Na década de 1830, surgem os primeiros críticos teatrais, o Jornal do Comércio publica o primeiro romance em folhetim e, consequentemente, aparecem também os primeiros críticos literários. Pode-se dizer, então, que a imprensa favoreceu a popularização e a projeção profissional dos homens de letras, uma vez que os jornais e as revistas passaram a configurar um espaço propício para o debate e a difusão de ideias de um modo geral. Considerando seu papel de mediadora cultural entre os intelectuais e a sociedade, este simpósio tem por objetivo reunir diferentes abordagens de pesquisas em periódicos, passando por discussões teóricas, aplicação de metodologias, apresentação de resultados e perspectivas no que se refere à sistematização, atualização ortográfica e disponibilização do corpus documental oriundo dessas pesquisas.

AUTOR(ES): Graziela Schneider Urso, Edelcio Rodiney Americo

As línguas, literaturas e culturas orientais e eslavas despertam interesse tanto do público geral como especializado no Brasil e seus estudos linguísticos, literários, culturais e artísticos vêm se amplificando. Nesse contexto, a prática e pesquisa sobre línguas e culturas orientais e eslavas se aprofundam. Algumas áreas promissoras, com histórico de pesquisa, produções e eventos em universidades e instituições brasileiras, como árabe, armênio, chinês, coreano, hebraico, japonês, polonês, russo, ucraniano, entre outras, vêm se consolidando várias dimensões linguísticas, culturais, históricas, científicas, sociais e econômicas. A partir de perspectivas, linhas teóricas e práticas diversas, o Simpósio "Línguas, Literaturas, Culturas Orientais e Eslavas no Brasil - traduções e interpretações" convida todas e todos as/os pesquisadoras/es, professoras/es e estudantes para debater trabalhos sobre áreas de Letras e Ciências Humanas e Sociais, que se orientem, entre outras, por temáticas como: história dos estudos orientais e eslavos; estudos linguísticos, semióticos, de léxico, lexicografia, terminologia e corpora; análise do discurso; interpretação; hermenêutica; estudos literários e artísticos; literatura comparada; estudos da tradução e de recepção; literaturas orientais e eslavas em tradução; tradução técnica, científica, acadêmica, jornalística; tradução cultural; estudos culturais; estudos de literatura e cultura orientais e eslavos no Brasil.

AUTOR(ES): JOSÉ ANCHIETA DE OLIVEIRA BENTES, RITA DE NAZARETH SOUZA BENTES

A linguagem em todas as suas formas pressupõe pelo menos duas questões fundamentais: como os seres humanos se entendem e como interagem. Essas questões ganham relevância quando pelo menos um dos sujeitos envolvidos é surdo. Este simpósio temático pretende colocar em discussão a presença de duas línguas em fronteira, a língua portuguesa e a língua de sinais. Os participantes se inserem na instigação da interação que ocorre entre professor e alunos surdos e entre aluno surdo e aluno ouvinte, produzindo conhecimentos. Questões emergem: como os professores vêm trabalhando com a presença de surdos em sala de aula? Quais metodologias são utilizadas no ensino de língua portuguesa e literatura? Os resultados podem ajudar nos processos inclusivos que esses alunos estão tendo nas escolas de ensino básico e nas universidades brasileiras.

AUTOR(ES): Fabíola do Socorro Figueiredo dos Reis, Fernando Alves da Silva Júnior

No texto Littérature de Frontière, itinéraire d’un écrivain (2007), Claudio Magris apresenta exemplos de como a reorganização geográfica da Europa torna os textos de alguns escritores europeus interessantes não apenas em relação aos aspectos das fronteiras geográficas, políticas e linguísticas, mas também quanto “às fronteiras psicológicas, sociais e interiores” (2007, p. 14). O simpósio Literatura de fronteira é um convite para reflexões acerca das relações que o texto literário firma com outras linguagens e culturas. Textos que confrontam línguas e culturas na textualidade impressa do livro sem deixar de assinalar o caráter transitório que a linguagem impõe ao leitor ao exibir imagens que se entrelaçam sem, por isso, se dissolverem, como é o caso do portunhol selvagem, língua fronteiriça adotada pelo escritor brasiguaio Douglas Diegues. Como Benjamin argumenta em Passagens (2007), é importante diferenciar o conceito de fronteira (die Grenze) do de limiar (die Schwelle): se a fronteira remete aos limites estabelecidos por domínios distintos, expondo campos aparentemente disjuntos, onde o transpassar não autorizado é visto como uma agressão, o limiar é um conceito distinto e complementar por se valer da ideia da diferença para criar a possibilidade de trânsito entre os domínios apartados. O limiar é uma fresta na fronteira que oportuniza a comunicação. Em vista disto, este simpósio aceita trabalhos relacionados aos estudos de literatura de fronteira que abordem aspectos linguísticos, sociais e/ou identitários, assim como traduções de obras de autores/temas de fronteira bem como trabalhos que colocam a literatura em situação de fronteira com outras artes e culturas. Tendo em vista o caráter limiar e transitório de alguns textos literários, pensar a obra literária como veio de passagem e como ato tradutório cabe a seguinte pergunta: quais são os riscos de se atravessar a fronteira? Os trabalhos aqui agenciados darão respostas a este questionamento.

AUTOR(ES): Larissa Fontinele de Alencar, Ivânia dos Santos Neves

Nosso objetivo é discutir sobre as literaturas fomentadas no Brasil a partir da Lei 11.645/08, que institui a inclusão no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira e indígena”, que visibiliza a urgência de atitudes comprometidas com a desconstrução dos discursos generalizantes e colonizadores que transformaram os povos indígenas e africanos, assim como seus descendentes em sujeitas e sujeitos marginalizados. A literatura, em toda sua complexidade (romances, narrativas orais, etnopoesia, cinema, dramaturgia) representa uma significativa possibilidade de romper a imposição violenta do silenciamento histórico, político e cultural. Desejamos, portanto, reunir trabalhos que envolvam textos literários focados na questão indígena e afro-brasileira e suas interfaces, organizados a partir dos seguintes eixos: a) propostas de escopo teórico oriundo de distintos saberes que, de alguma forma, contribuam para a discussão a respeito do estabelecimento dos paradigmas e teorias, a fim de contribuir para a formação da fortuna crítica sobre essa matéria em âmbito internacional; b) propostas relacionadas a formas literárias diversas, temas e problemas relacionados às formas, paradigmas, aproximações e limites afins, como a construção da identidade e da memória, o teor testemunhal resultante das experiências violadoras presentes nas expressões literárias dessas comunidades, as produções literárias dos escritores indígenas e afro-brasileiros; as representações dos indígenas e afro-brasileiros na história da literatura brasileira ou estrangeira, as aproximações entre as literaturas indígena, africana e afro-brasileira, as relações com o decolonialismo e outras correntes de pensamento contemporâneo, o lugar dos autores indígenas e afro-brasileiros no campo literário; os lugares da literatura indígena e afro-brasileira na literatura latino-americana e c) Discussões sobre a literatura e a valorização étnica-racial no contexto escolar.

AUTOR(ES): Patrícia A. Beraldo Romano, Simone Cristina Mendonça

Este simpósio tem por proposta a abordagem da literatura infantojuvenil como fonte primária, ao estudar seus diferentes suportes e problematizar os seus limites. Trata-se de analisar a produção, a circulação e o consumo dessas obras, em diferentes épocas. Pretende-se discutir pesquisas que tenham as seguintes questões norteadoras sobre a literatura infantojuvenil: quem escreve os textos?; como os escreve?; para quem os escreve?; em que condições sociais, políticas, econômicas e culturais o faz?; como o produto do seu trabalho é apropriado, lido e consumido por leitores na época da publicação e nos tempos atuais? Também serão bem-vindos trabalhos que apresentem uma discussão de textos infantojuvenis publicados em diferentes mídias (jornal, livro impresso, e-book, áudio-livro e demais suportes). Com isso, esse simpósio tem a intenção de acolher tais textos que abordem as questões acima descritas ou que se preocupem com a recepção leitora a partir da tríade de Antônio Candido: autor, obra, público leitor.

AUTOR(ES): Luís Heleno Montoril del Castilo, Sheila Lopes Maués Autiello

O presente simpósio pretende reunir trabalhos de pesquisadores sobre a literatura, arte e cultura da Amazônia em seus contextos brasileiro e latinoamericano. Pesquisadores que tenham trabalhos propositivos para pensar e produzir conhecimento sobre essa região a partir de seus bens de cultura e expressões artísticas e literárias a fim de ultrapassar os limites traçados pelo conceito de Amazônia somente como "quadro da natureza", ou de Amazônia como espaço de biodiversidade e desenvolvimento socioeconômico. A ultrapassagem dos limites fisiográficos, desenvolvimentistas e ecológicos torna-se possível através de um olhar pós-disciplinar sobre os documentos, as obras artísticas, literárias e as manifestações culturais existentes relativas à região. Um olhar que permita intervir nas abordagens culturais sobre o homem, a natureza e os processos civilizatórios e globalizantes.

AUTOR(ES): CLAUDIO EMIDIO SILVA, Rita de Cássia Almeida Silva

A Amazônia é por excelência um espaço de diversidades que se difundem por meio de línguas também diversas. Ao se trazer para o campo de formação escolar as diferentes línguas e formas de linguagem, o respeito à diversidade deve ser o enfoque para que o diálogo alcance o propósito maior de ampliar fronteiras, tendo como base a troca de saberes no diálogo intercultural. Como se dá esse registro? Qual língua é escolhida para este fim? Que critérios pontuam essa escolha? Além das línguas escritas, que outras linguagens se fazem presentes para realizar o registro desses conhecimentos? Este simpósio tem como objetivos estabelecer um espaço de troca de saberes entre os atores que tem circulado por estes espaços interculturais de formação, seja este indígena, quilombola, do campo ou demais espaços em que esta forma de educação se faça presente e tornar públicas as ações que apresentaram êxito em desenvolver ou divulgar conhecimentos no diálogo entre culturas diferentes. Dentro das formações que tem como principio a interculturalidade serão agrupados nesse subtema sessões temáticas que envolvam a discussão sobre a educação na Amazônia e a interculturalidade, práticas de formações de professores que considera a interculturalidade como principio formativo e como as linguagens são trabalhadas nesses processos. A abordagem poderá considerar: i) a interculturalidade crítica e a formação de professores; ii) a interculturalidade e as línguas indígenas; iii) o uso das linguagens na formação escolar como processo dialógico.

AUTOR(ES): Rosa Elizabeth Acevedo Marin, Maria de Nazaré Barreto Trindade

Este simpósio segue a orientação do VI CIELLA de focalizar pesquisas que privilegiem uma “diversidade linguística, literária, cultural, e étnica, com ênfase nos diálogos fronteiriços e/ou possíveis entrelugares”. Nasce também de preocupações e estudos voltados à área da antropologia , portanto trata-se do encontro de duas áreas do conhecimento: Antropologia e Literatura, áreas fronteiriças de onde emergem diversas formas de olhar um mesmo objeto de pesquisa. Com esta perspectiva pretendemos acolher pesquisas atravessadas por esta relação e cujos temas evidenciem o protagonismo da mulher negra no contexto amazônico, entendendo por tal os atos, as ações e as palavras que situem as mobilizações, projetos, posicionamentos que revelem manifestações e trajetórias dos agentes sociais autoidentificados. As pesquisas devem tecer discussões sobre as literaturas e suas transversalidades: relações de poder, escrita literária, folguedos, danças, ritmos, cordel, hip-hop, buscando evidenciar como diferentes manifestações no campo da literatura e das artes produziram e se constituem enquanto re (existências) da negritude, com referência nas matrizes históricas- africana e afro-brasileira e com ênfase nos estudos decoloniais e pós-coloniais, de alteridade e feministas. Palavras- chave: Literatura; Antropologia; Protagonismo Negro; Escrita Literária; Cultura;

AUTOR(ES): Sílvio Augusto de Oliveira Holanda, Everton Luis Farias Teixeira

Neste simpósio, serão apresentados trabalhos vinculados às pesquisas desenvolvidas pelos investigadores no âmbito dos Programas de Pós-Graduação em Letras, no Brasil. O recorte temático abarca a modernidade literária (SARLO, 2010; SOUZA, 1999; APPADURAI, 1996; BAUMAN, 1999; BERMAN, 1986; GIDDENS, 1991; VATTIMO, 1998), sobretudo, a Literatura em Língua Portuguesa (Josué de Castro, Guimarães Rosa, Milton Hatoum e outros autores), na segunda metade do século XX, com fundamentação teórica na Filosofia, na Estética da Recepção e nas relações entre História e Ficção. Cada investigador apresentará o percurso de sua pesquisa, procurando levar ao público uma discussão crítica sobre suas áreas de atuação e sintetizar as bases teórico-metodológicas em que se assentam as pesquisas sob sua responsabilidade. A opção temática pela Literatura de Língua Portuguesa justifica-se pelas possibilidades de repensar as contradições internas dos vários projetos de modernidade (HABERMAS, 2000), com ênfase na noção de modernidade periférica (SARLO, 2010) e na dinâmica da modernidade na América Latina (BRUNNER, 2001; GADEA, 2007), podendo-se, assim, pensar, sob uma mesma ótica, textos de autores brasileiros, tão diferentes entre si, como como Guimarães Rosa e Milton Hatoum, mas próximos na problematização do moderno no campo literário e social.

AUTOR(ES): Silvia Sueli Santos da Silva, Wellingson Valente dos Reis

A inserção de narrativas do imaginário amazônico a partir de seu viés fantástico constituiu-se na literatura regional como expressão de culturas e identidades híbridas, em diálogo constante com estéticas universais. Do tradicional ao contemporâneo observa-se como cada autor expressa por meio de sua linguagem poética seu olhar sobre esse universo significante do imaginário mítico da Amazônia. Pode-se dizer que a vocação poética do imaginário amazônico, revela-se desde as primeiras narrativas idílicas das crônicas dos primeiros viajantes que adentraram a região. Paes Loureiro (2001) atribui ao imaginário amazônico uma qualidade “estetizante”, uma vez que em sua ambiência, o rio, suas margens, assim como a densa floresta equatorial em toda sua biodiversidade, estão impregnadas de apelos sensoriais que se revelam tanto em suas narrativas orais, assim como na obra de escritores amazônidas. Por isso, a voz se destaca como forma importante de expressão, pois ainda é uma das formas de unir pessoas. Tanto aquelas próximas, que compartilham saberes do mesmo meio social, quanto as distantes no tempo, pessoas de hoje com seus antepassados. A voz da tradição une o tempo contemporâneo com o passado ancestral, o oral permanece no mundo contemporâneo, criando o imaginário amazônico, esse imaginário muitas vezes se encontra com o inexplicável e, juntos, criam o insólito, o sobrenatural, que apesar de não possuir explicação racional é aceito em sua forma pelos moradores da região; ou seja o fantástico nasce desta ambiguidade que está presente na cultura da região, criando uma verdadeira “poética da incerteza” (CESERANI, 2006). O objetivo deste simpósio temático é debater as poéticas criadas na Amazônia, seja pelo viés da oralidade, do imaginário ou do fantástico.

AUTOR(ES): Iza Reis Gomes Ortiz, Eliane Auxiliadora Pereira

Este simpósio tem como objetivo agregar pesquisas, trabalhos e reflexões sobre o processo de criação literária amazônica em diálogo com outras áreas de estudos. Pontuaremos sobre os mecanismos da Criação Literária por meio da Crítica Genética, a teoria que investiga os diversos momentos da criação. Quando se opta por estudar os rascunhos, os chamados manuscritos, o objetivo se orienta por interrogar a criação do escritor, as anotações, os esboços, os cadernos de viagem, os rascunhos, os planos de trabalho. Há escritores que detalham tudo, não só recolhem material para a escrita de um romance, contos, poesia, como também constroem uma metalinguagem sobre o que escrevem. Um exemplo foi Guimarães Rosa, que ao realizar as anotações, comentava sobre esse ato. Supomos ser uma tentativa de pré-ensaio para a escrita, uma experimentação de registros, ideias, histórias, palavras, situações que poderão ser utilizadas em seu processo de criação, processo este que já se iniciou quando da observação e anotações. A Ciência nova reclama um olhar interdisciplinar, diverso, e é nesse contexto que a Crítica Genética está inserida, com um olhar do observador, do externo, com um objeto descontínuo, sem certezas, sem homogeneidade, pelo contrário, a heterogeneidade faz parte do manuscrito. E para realizar estudos em cima dos manuscritos, objeto de pesquisa da Crítica Genética, há uma necessidade de outras ciências, da Linguística, da Análise do Discurso, da História, da Semiótica e de várias outras disciplinas que dialogam com a Crítica Genética. Os manuscritos são por excelência, um espaço complexo, instável e intersubjetivo, ou seja, um espaço que apresenta descontinuidades, um ir e vir impossível de ser traçado, mas aberto a possibilidades de construções, de acordo com o olhar do geneticista. E para investigar esse espaço descontínuo que são os manuscritos, a complexidade de possíveis caminhos de um processo de criação, o objeto reclama um olhar interdisciplinar, ou seja, a Crítica Genética abarcará questões sociais e históricas.

AUTOR(ES): carlos henrique lopes de almeida, Rita de Cássia Paiva

A diversidade na Amazônia é tão grande quanto as dificuldades encontradas no sistema público de ensino da região; por isso, a integração UFPA com escolas de ensino médio através de projetos de extensão torna-se um veículo de promoção da educação bem como um implemento à formação do futuro docente de espanhol que participe desses projetos. Esse simpósio pretende coletar trabalhos em que as universidades públicas/privadas se utilizem de projetos de extensão como agentes de formação crítica de alunos do ensino médio da rede pública. O enfoque é a presença do espanhol depois da retirada da obrigatoriedade de seu ensino na educação básica do Brasil. As pesquisas apresentadas devem apresentar um quatro teórico que de alguma maneira se conecte os trabalhos de Leffa (2008), Freire (2012); Zeichner (1993); Shulman (1989); Schön (1995) y Dewey (1979) no âmbito da formação reflexiva; Moita Lopes (2012) em questões de ensino de espanhol bem como a aprendizagem significativa de Ausubel (apud Moreira y Mansine, 1982) e os modelos mentais de Lawson e Lawson (1993) além de premissas de Vygotsky (1991) entre outros. Deve também expor resultados, ainda que parciais e oferecer perspectivas futuras e/ou análises de dados.

AUTOR(ES): Maria do Socorro Morato Lopes, Rodrigo de Souza Wanzeler

A Análise do Discurso é uma área de estudo que permite diálogo entre diversos campos do conhecimento e da contribuição desses diversos campos surge, a cada pesquisa, um olhar sobre os discursos, que permite pensar as relações que esses discursos fazem emergir na sociedade. Na interface entre Filosofia, Antropologia e Discurso, por exemplo, é possível empreender um olhar sobre a constituição do sujeito (FOUCAULT, 1987) nessas três áreas de conhecimento, buscando relações que permitam emergir o entrecruzamento discursivo, por meio da materialidade linguística, mas também pelas relações sociais que surgem desse encontro de postulados interdisciplinares. Quando se pensa em sujeito, nos estudos da linguagem, muitas abordagens são possíveis e muitas noções já foram postuladas, algumas apontando para a consciência de um sujeito que enuncia, outras que dizem respeito à constituição de um sujeito que se constrói por meio de seus atos de fala, no entanto, Foucault (1987) se distancia de todas essas abordagens que concebem o sujeito como indivíduo, com particularidades de alguém que toma a palavra. Para o autor, a noção de sujeito está relacionada às posições ocupadas para reproduzir saberes de formações discursivas, por meio de regras anônimas que condicionam o aparecimento dessas posições-sujeito, as quais, aportados, também, em Roy Wagner (2010) e Viveiros de Castro (2002), buscar-se-ão aqui ser simetrizadas em uma perspectiva relacional. Tais regras são construídas e reproduzidas socialmente. Nesse enredo, à presente proposta interessam trabalhos que enfatizem de que forma outros domínios do conhecimento, além da Linguística, podem contribuir no que diz respeito às pesquisas acerca da constituição do sujeito, dando enfoque a essa noção e objetivando compreender os discursos como prática (FOUCAULT, 1987; MAINGUENEAU, 1997, 2008), forjados pela historicidade e pelas relações que são construídas socialmente.

AUTOR(ES): Fernando Maués, Ana Crélia Penha Dias

O Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), segundo se lê em seu Regimento, é um programa de stricto sensu oferecido em rede nacional a professores já atuantes no ensino fundamental das redes públicas que tem como meta “capacitar professores de Língua Portuguesa para o exercício da docência no Ensino Fundamental, com o intuito de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino no País”, em especial no que diz respeito ao desenvolvimento das competências linguísticas de estudantes do ensino fundamental. Esse caráter pragmático e sensivelmente focalizado na qualificação da atividade docente se ratifica pela natureza dos trabalhos de conclusão requeridos, que ressaltam o caráter “profissional” e o foco em problemas concretos enfrentados pelo professor. Tendo como marco teórico acerca das pós-graduações stricto sensu e as iniciativas de formação continuada para professores de língua materna no Brasil autores como Schäfer e Ostermann (2013), Neres, Nogueira e Brito (2014), Martins e Puggian (2014), Silva e Del Pino (2016), Martins e Ribeiro (2013), Campos e Guerios (2017) e Cunha e Agranionih (2017) e considerando que o programa já conta com três turmas de egressos (2015, 2016, 2017), o presente simpósio propõe colocar em discussão a contribuição do PROFLETRAS para a formação docente e seu impacto para a prática pedagógica nos espaços da escola básica.

AUTOR(ES): ROBSON TELES GOMES, DJAIR TEÓFILO DO REGO

O SIMPÓSIO REPRESENTAÇÕES AMBIENTALISTAS NA LITERATURA BRASILEIRA tem o objetivo de analisar a terra brasileira como um “eco-espaço” no qual diversas representações ocorreram, desde a Carta de Pero Vaz de Caminha – com as indagações acerca do meio natural brasileiro e a tentativa de descrevê-lo a fim de informar a Portugal as peculiaridades da terra brasilis e do aborígine – até Macunaíma, de Mário de Andrade – essa alegoria do país e do povo brasileiro onde se desconstrói o ufanismo idealizado do paraíso tropical tupiniquim construído no Romantismo brasileiro. A partir daí, o SIMPÓSIO propõe discussões quanto às possibilidades de representações estéticas que obras literárias brasileiras possam ter construído no viés da ecocrítica.

AUTOR(ES): Marcus Araújo, Reinildes Dias

As tecnologias educacionais e as mídias digitais influenciam cada vez mais no modo de aprender de crianças, jovens e adultos. Conforme destacam Veen e Vrakking (2009), Prensky (2010, 2012), Kenski (2012, 2013), Fava (2014, 2016), entre outros, a geração digital, também denominada geração participativa por Kalantzis e Cope (2012), não se identifica com a abordagem tradicional, no qual o professor fala, ministra sua aula, como se fosse um palestrante, e o aluno, sentado, comportadamente, escuta-o, de maneira passiva. Os tempos mudaram e as pessoas, também. Afinal, a nova geração de alunos deseja interagir, compartilhar, sentir-se desafiada, usar e incorporar as tecnologias e as mídias digitais frequentemente, para navegar, encontrar informação, compartilhá-la, postar vídeos e fotos em redes sociais e aplicativos, usar o telefone celular para se comunicar, enviar mensagem, jogar, entre outras atividades. Integrar e mediar as tecnologias e as mídias digitais em práticas pedagógicas e curriculares no contexto educacional não é tarefa fácil, pois exige colaboração de todos os agentes do sistema. Assim sendo, o presente simpósio tem como objetivos (a) discutir a integração das tecnologias e mídias digitais para fins pedagógicos no contexto de sala de aula; (b) apresentar propostas que envolvem a construção de produção de materiais didáticos com tecnologias e mídias digitais; e (c) refletir sobre práticas de fomento para os multiletramentos ou letramentos digitais a partir do uso das tecnologias e mídias digitais. Isso posto, este simpósio convida professores, pesquisadores e alunos da Pós-Graduação Lato Sensu e Stricto Sensu a apresentar suas pesquisas, concluídas ou em andamento, nos diferentes contextos educativos: Educação Especial, Educação de Jovens e Adultos, Educação do Campo, Educação Escolar Indígena, Educação Escolar Quilombola, Educação Básica e Educação a Distância, com ênfase nas áreas de língua, linguagem, tecnologias e mídias digitais.

AUTOR(ES): José Guilherme dos Santos Fernandes, Mariana Janaina dos Santos Alves

Os estudos da tradução estão, cada vez mais, vinculados aos temas da Cultura, Identidade e Literatura, temas estes pertinentes e reveladores à crítica e recepção de obras na contemporaneidade em razão de que confrontam-se concepções e pontos de vista diversos e por vezes antagônicos no ato tradutório. Não é demais afirmar que a tradução é “a construção do comparável” (Ricoeur, 2012), o que nos leva a crer que esta ação implica em uma relação intercultural, como contato entre culturas que resulta em confrontação de sistemas simbólicos e redes de interpretações, ou interpretação das culturas (Geertz, 1989). Assim, com base nos postulados de Homi K. Bhabha em O local da Cultura (1998), especialmente as reflexões sobre identidade e as análises sobre o pós-colonial e o pós-moderno, a La théorie du sens et la traduction des facteurs culturels (2010) proposta por Din Hong Van e o conceito de Interprétation et traduction des cultures (2002) de Claude Calame, além dos conceitos de etnotradução (Fernandes, 2017) e de autoridade etnográfica (Clifford, 2011), aceita-se neste grupo de trabalho, comunicações orais que versam sobre a Literatura Estrangeira Moderna e Comparada, Narrativa, (Etno)Tradução, Etnografias, Literatura de Viagens e Estudos Culturais. Os objetos de análises e interpretações poderão ser textos orais ou escritos, de variado gênero, que impliquem em construções textuais (verbais ou não verbais) literárias, jornalísticas, crônicas, historiográficas, histórias orais e etnografias. As apresentações, neste simpósio, poderão ser em língua portuguesa, língua espanhola ou língua francesa.

AUTOR(ES): Mayara Ribeiro Guimaraes, Ana Alencar

Na medida em que ela se apresenta como uma paradoxal experiência da alteridade, a leitura assimila-se às noções de vertigem e de fascinação. Ao ler uma obra poética, o sujeito apropria-se de todo um universo mental que não é o dele. O Texto – objeto fixo, definido pela sua inteireza, unicidade, clausura – incita-nos a constatar, de fora, suas características objetivas. No entanto, no decorrer da leitura, tudo se passa como se nos instalássemos no texto, ou seja, como se tomássemos conta do que lemos, pois é nossa atividade mental que, instalada na interioridade do texto, ordena-o - ou desordena-o – emprestando-lhe vida e ritmo. Dupla consciência, pois: uma, latente, a do autor, como que acordada ou ressuscitada pela outra, a do leitor. Tal distinção poderia parecer inutilmente complicada, não fosse tão primordial para se compreender a tradução como movimento dos textos e os textos como movimento na tradução, usando-se as expressões de Henri Meschonnic. Portanto, sem perder a sua independência, o texto poético, em uma espécie de clivagem e de identificação, convida-nos a ser o que ele é; a, mentalmente, nos confundir com sua própria substância. Aquele que traduz, simultaneamente, permanece em seu próprio tempo e, com sua personalidade, reproduz o movimento, o ritmo que as palavras e as idéias daquele texto (de outro tempo) lhe sugerem. Assim, a tradução é um dos modos de tornar visível este paradoxo: o das transformações que fazem com que um texto seja sempre o mesmo e sempre outro, a cada época, a cada leitura. Essa experiência da alteridade é paradoxal porque é proporcionada pela própria literariedade, cuja tradução é impossível por isso mesmo necessária.